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Seas envolve refugiados venezuelanos na limpeza e manutenção do Abrigo do Coroado

 

Texto : Margarida Galvão / Fotos: Jander Souza

A dinâmica de interação entre gestores estaduais que atuam no abrigo do Coroado, situado na zona leste de Manaus, e os refugiados venezuelanos tem evoluído positivamente nos últimos meses. Coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), que conta com o apoio de outros órgãos estaduais e do município, o local abriga atualmente 215 pessoas, dos quais 60 crianças. Hoje, parte dos “moradores” do abrigo assumiram responsabilidades, seja na limpeza e manutenção do local, seja no preparo das refeições – café, almoço e jantar.

De acordo com a coordenadora do abrigo do Coroado, Darcy Ramos de Amorim, o local é uma comunidade; são mais de 200 pessoas morando no mesmo ambiente, o que requer que assumam responsabilidades, porque hoje o abrigo se tornou a casa deles, ainda que temporariamente. Isso significa, conforme a dirigente, que eles precisam acordar, lavar, cozinhar, limpar banheiros e o chão, além de cuidarem dos próprios aposentos.

 

“É isso que estamos tentando fazer com eles. Já houve um avanço nesse sentido, apesar da relutância de alguns, mas no geral está havendo essa reciprocidade”, assegurou.

 

Para chegar a esse nível de entendimento, Darcy Amorim disse que foram realizadas várias rodas de conversa para mostrar aos venezuelanos que eles têm direitos, mas também deveres, que se traduzem em responsabilidades quanto ao ambiente em que estão vivendo, com segurança em termos de acolhimento no sentido de ter onde dormir; alimentação e segurança patrimonial.

 

“Esse disciplinamento não existia antes, quando o abrigo foi criado, há oito meses, mas aos poucos temos trabalhado neste sentido, e eles estão respondendo positivamente”, disse, ressaltando que tanto os homens como as mulheres têm se dividido nos afazeres domésticos, seja na limpeza e manutenção do local, seja na cozinha, na produção de alimentos.

 

Convivência solidária – A venezuelana Dessirre Mata, de 34 anos, está dando sua contribuição no abrigo ajudando a cozinhar, assim como na limpeza dos banheiros. Há três meses no abrigo, ela conta que deixou a família, inclusive os filhos na Venezuela, em busca de trabalho. “Ainda não consegui trabalhar, mas encontrei refúgio aqui, onde tenho uma boa convivência com os demais moradores, portanto, me sinto útil em poder ajudar”, disse a venezuelana, destacando que seu país está passando por sérios problemas econômicos, sem perspectiva de serem sanados tão cedo. “Quero trabalhar para ajudar minha família”, completou.

Outra que colabora na cozinha é Jéssica Coba, de 23 anos, casada; tem dois filhos que estão participando da escolinha no abrigo. A venezuelana disse que seu marido tem saído diariamente em busca de trabalho, mas tem encontrado apenas “bicos como ajudante”, por conta das dificuldades de se comunicar. “Por enquanto o que nos salva é o abrigo que nos oferece abrigo e alimentação”, disse.

Os venezuelanos fogem do seu país e buscam refúgio em Manaus principalmente por conta da grave crise que assola a Venezuela. “O que tenho ganhado com os serviços de pedreiro que faço,  mando para meus pais”, disse Joel Josué Sanches, 22, solteiro, com Ensino Médio completo. O venezuelano, que se encontra no abrigo juntamente com uma prima, conta que veio para Manaus em busca de trabalho e para fugir das dificuldades financeiras. Joel também ajuda nas atividades do abrigo, entre as quais na limpeza do chão.

 

Rotina alterada – A rotina do abrigo do Coroado passou a ter uma nova dinâmica com a inauguração do projeto Sala de Transição para atender crianças venezuelanas de 4 a 12 anos incompletos nas séries iniciais – Educação Infantil e do 1º ao 5º ano, no horário matutino. O projeto é realizado por meio de uma parceria entre Seas, Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

 

Darcy Ramos de Amorim explica que o projeto decorreu da ociosidade das crianças no Abrigo, na faixa de 4 a 12 anos, que estavam sem estudar. Ela disse que muitas delas estavam estudando na Venezuela e, por conta da saída dos pais em busca de refúgio em Manaus, ficaram fora do ambiente escolar. Em parceria com a Semed e por exigência do próprio Ministério Público Federal, a partir do dia 17 de outubro começaram as atividades na sala de aula, sendo que os pequenos têm aula às terças e quintas; os maiores às segundas, quartas e sextas.

 

“Além disso, às terças e quintas, eles têm atividades com a Caravana da Educação da Semed, tanto em sala de aula, como lazer, recreação, o que está transformando a realidade deles”, frisou.

 


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